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26º Domingo do Tempo Comum - Nossa Senhora de Sion
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26º Domingo do Tempo Comum

Regra social do Evangelho: ama o próximo como a ti mesmo

Novamente Nosso Senhor Jesus Cristo está discutindo com os fariseus. Destes, o Evangelho faz a seguinte anotação: ‘Os fariseus, amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam de Jesus’ (Lc 16,14). Jesus, como temos visto nos domingos precedentes, responde por meio de parábolas. A história deste domingo é a do rico e do pobre Lázaro.

Ir. Maycon dos Reis Custódio nds

Novamente Nosso Senhor Jesus Cristo está discutindo com os fariseus. Destes, o Evangelho faz a seguinte anotação: ‘Os fariseus, amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam de Jesus’ (Lc 16,14). Jesus, como temos visto nos domingos precedentes, responde por meio de parábolas. A história deste domingo é a do rico e do pobre Lázaro.

Apreciemos de maneira mais criteriosa os primeiros versículos deste evangelho (19-21) que dão a tônica sobre quem são estes personagens, uma vez que procuram descrever suas ações.

“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias” (v.19). Deste infeliz personagem bíblica não se conhece nome, origem, nenhuma característica a não ser seus gostos: roupas finas como os reis e amante de festas suntuosas como os ricos. Nada mais. Sobre o outro personagem lemos: Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas” (v.20-21). Este personagem possui um nome. O contraste entre ambos é notório. Enquanto o primeiro se banqueteia em sua vida privada, o segundo morre lentamente à sua porta, esperando um auxílio que não vem. Sua situação é desprezível, repugnante humanamente falando. Não há como não pensar na primeira leitura, em que Amós denuncia os que se fartam em suas mordomias e “não se preocupam com a ruína de José”, ou os que “vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria”.

Nosso Senhor deseja apontar as atitudes que afrontam violentamente o Reino dos Céus já aqui nesta terra.

Convém atentar sobre qual dos personagens recai o centro da parábola, ou, em outras palavras, quem é o personagem principal da parábola. Temos diante de nós três opções: o pobre, o rico ou mesmo os cinco irmãos. Se fosse o pobre, certamente Nosso Senhor nos estaria ensinando que a situação de negação de humanidade vivida por alguns enquanto outros vivem na prosperidade é querida por Deus, bastando apenas aos primeiros a firme coragem e resignação diante destes fatos. Mas não! Não é Lázaro o personagem principal da parábola. Se fossem os cinco irmãos, certamente Nosso Senhor nos estaria precavendo contra a irresponsabilidade com que muitas vezes conduzimos nossa vida, em que, mesmo advertidos (por Moisés e pelos profetas), escolhemos agir e caminhar por outros caminhos. Rejeitamos os caminhos de Deus e optamos pelos nossos próprios. Apesar de ser um ensinamento de Jesus, não é o comportamento emponderado que ele deseja acentuar nesta história.

Não estaria o Senhor ensinando a evitar ações tais como as do homem rico, para quem o outro ser humano à sua porta era praticamente um ser invisível? É importante notar que a reprovação de Jesus não é pelo fato de o homem ser rico, mas sim pelo fato de sua riqueza ter-lhe endurecido o coração (Ex 9,7). Com o coração entorpecido pelos bens, pela moda, pelos ídolos e prazeres é impossível ouvir a voz de Deus que orienta os verdadeiros caminhos – simbolizados na parábola pela menção a Moisés e aos profetas –, muito menos ajuda o homem a inclinar-se em direção aos outros, numa atitude de solidariedade e ajuda.

Justamente aqui está o ensinamento da história contada por Jesus. Ao colocar o rico como centro da parábola, Jesus quer ensinar aos seus discípulos que acima de toda riqueza, de todas as coisas de valor está o ensinamento basilar dos santos Evangelhos, aquele ensinamento que saiu dos lábios do Salvador: “Amarás o Senhor teu Deus…e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10,27). A reprovação ao rico consiste na sua atitude de usar de maneira leviana suas posses, sem considerar a mínima ajuda aos necessitados. De maneira fundamental, a acusação de Jesus é ao fato de aquele homem – e todos nós – deixar de lado o mandamento fundamental na prática cotidiana de sua vida, preferindo agir de maneira despótica, sem compaixão, sem o mínimo sinal de benevolência em relação aos pobres, sem nenhuma generosidade e misericórdia.

Ora, a vida cristã consiste em configurar nossa existência à vida do próprio Senhor Jesus. Sabemos que a vida de Jesus consistiu em um contínuo doar-se ao Pai, abnegar-Se para fazer a vontade de Deus; seu sacrifício chegou à radicalidade no altar da Cruz, quando “se entregou por nossos pecados” (Gl 1,4); mesmo após o sacrifício da Cruz Ele continua entregando-Se por nós na Eucaristia celebrada cotidianamente sobre a face da Terra, assim como na celebração dos Santos Sacramentos. Jesus viveu o amor, a partilha, a solidariedade, a compaixão e a misericórdia. “Por toda parte, ele andou fazendo o bem” (At 10,38), diz os Atos dos Apóstolos. Uma vez que o próprio Jesus praticou estas ações, elas se tornaram lei de vida para os cristãos. Onde Deus não é amado acima de todas as coisas e onde “próximo” – seja ele quem for – não for objeto de nossa consideração, pensamento, ação, compaixão e misericórdia por causa da sua dignidade de criatura amadíssima de Deus, na verdade não há cristianismo.

Corre-se o risco de fazer uma leitura sociológica ideologizada desta parábola, condenando o rico por ser rico e valorizando o pobre por ser pobre. É evidente que a parábola apresenta um problema social daquele tempo e também do nosso. Que há os que esbanjam suas riquezas, às custas da miséria de uma multidão é um fato visível. Para as causas disto, podem-se encontrar resposta em todas as áreas de conhecimento. A nós importa a verdade que provém da Palavra de Deus. E o que a Liturgia nos apresenta neste Domingo é o que se pode chamar de regra social fundamental: aquela de considerar o próximo a partir do olhar de Deus. Em nenhuma frase dos Evangelhos se encontrará qualquer ensinamento que autorize um cristão a agir com desprezo, indiferença, neutralidade, insensibilidade e desamor diante de qualquer pessoa. Podemos dizer tranquilamente que a lei social do Evangelho é o amor. Justamente porque o amor é o reconhecimento de que só Deus é absoluto e que tudo o que Deus considera importante é igualmente importante para os que amam a Deus. Deste modo, quem ama a Deus deve, necessariamente, amar seus semelhantes. O amor é abertura do coração e da vida para Deus e para os próximos. O amor confere às pessoas uma capacidade de lançar-se para fora de si mesmo. Os santos oferecem uma ótima lição a este respeito. De outro lado, a lei social “deste mundo” marcado pelo pecado é a indiferença, o egoísmo, o descuido, o desinteresse, pela produção, pelo valor econômico e por tantas ações que visam defender e salvaguardar a mim mesmo.

A sociedade moderna grita ardentemente para que os cristãos, cada vez mais, exerçam sua vocação ao amor a exemplo do Senhor Jesus. Tantas vezes ficamos pávidos diante de notícias de violência, de ações de grande escala ou de menor escala, em que imperou a lei “deste mundo”. Com tristeza nos deparamos com cristãos que se deixam levar por ideias demoníacas como o egoísmo e o desprezo de outras pessoas. Necessitamos pedir a Deus a graça de amá-Lo cada vez mais e assim termos capacidade de considerar as pessoas com o olhar de Deus. É porque “Deus nos amou primeiro” (1 Jo 4,19) que nós mesmos podemos amar a nós mesmos e aos outros. Amar, no entanto, não é uma ideia etérea, platônica como dizem, mas consiste em agir desinteressadamente pelo bem do outro. Jesus é o modelo de amor. Basta ver nos Santos Evangelhos que nunca agiu para Si, mas por Seu Pai e pelo bem dos Seus.

O Evangelho deste domingo deseja apontar que nossas relações com os outros incidem de maneira direta na maneira como nos relacionaremos com Deus na eternidade. Aquele, em cujo coração na vida terrena reinaram o egoísmo, a indiferença e a displicência em relação aos seus próximos, viverá o amor na eternidade com Deus?

Devemos pedir a Deus a graça de abrirmos o nosso coração para acolher a Sua vontade e uma liberdade para amar como Jesus nos pediu. Não ajamos como o homem rico, nem tampouco como os cinco irmãos, que viviam descompromissadamente, apenas curtindo os prazeres desta vida sem pensar no futuro e na vida eterna. Pessoas assim são aquelas que decidem não escutar as diretrizes propostas por sua consciência, ignoram a Palavra Divina e os variados sinais enviados por Deus. Nosso Senhor disse que estas pessoas não se convertem “mesmo que alguém ressuscite dos mortos”, tamanha é a dureza dos seus corações. Peçamos a Deus, que abre os olhos aos cegos e faz erguer-se o caído, para que Ele nos assista continuamente. Que nós, que acreditamos Naquele que ressuscitou dos mortos de uma vez por todas e se dá a nós na Eucaristia, possamos abrir o nosso coração para acolhermos sempre a Verdade de Deus e termos coragem e força para praticá-la em nossa vida.

Por fim, reflitamos uma meditação de Santa Teresa de Calcutá, que compreendeu muito bem o amor de Deus em sua vida pessoal e permitiu que este amor extrapolasse até se derramar nos mais necessitados de seu tempo:

“Deus fala pelo silêncio no coração, quando escutamos. E então, falamos com Deus com todo o nosso coração. Primeiro escutamos, quando Deus fala. E depois falamos e Deus nos ouve. Essa conexão é, nessa oração, a unidade com Deus. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. E o fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço. E o fruto do serviço é a paz. É por isso que precisamos rezar: para ter um coração limpo. Quando temos um coração limpo, podemos ver Deus. E quando vemos Deus, naturalmente começamos a amar uns aos outros. Isso significa que vemos, enxergamos e depois nós damos nossas mãos para servir, e nossos corações para amar. E isso é o início da santidade”.

 

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