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25º Domingo do Tempo Comum

Quem vos confiará o verdadeiro bem?

 O verdadeiro bem é Ele mesmo. O mistério da salvação é que Deus mesmo se doou a nós por meio de seu Filho Jesus Cristo  e no seu Espírito Santo. Surge, pois, a necessidade de desejar este bem supremo, Este que é o verdadeiro Bem.

Ir. Cristóvão Oliveira Silva, nds

A parábola do administrador previdente (Lc 16, 1-13) que ouvimos este domingo, pelo menos em primeiro momento, intriga-nos e deixa-nos perplexos. Como um comportamento desonesto pode representar algo santo que Deus nos queira ensinar através do Santo Evangelho? Sucedem esta parábola alguns ensinamentos sapienciais de Nossa Senhor sobre a ameaça do vício da cobiça para o discipulado. 

Um administrador, sabendo que será demitido de seu posto por sua má administração, comete anda mais atos desonestos ao propor a alguns devedores de seu patrão a adulteração no valor da dívida no título do empréstimo. Um primeiro obteve um abatimento de cinquenta barris de azeite; um segundo, de vinte sacas de trigo. A soma dos dois descontos formam o número simbólico de “setenta.” O resultado final da ação do administrador reveste-se, portanto, com a simbólica do número “7”. 

Sete são os dias da criação do céu e da terra (Gn 1); sete as nações que Deus expulsa de Canaã para que cedam lugar ao povo eleito (Dt 7,1) ; sete são os mandamentos que se referem às relações sociais; sete são os pedidos do Pai-Nosso; sete são os dons do Espírito Santo e sete são as obras de misericórdia. Sete, porém, são também os pecados capitais, e sete foram o número de demônios que habitavam Maria de Magdala (Lc 8, 2). 

A ação do administrador, com isso, está longe de ser algo justo que possa ser simbolizado pelo número “7”. Os cúmplices da fraude ficam como que “nas mãos” dele. É por isso que eles o hão de receber em suas casas, porque temem ser denunciados. 

A parábola termina com o elogio do senhor. Este “senhor” não é Jesus, mas o proprietário dos bens, o patrão do administrador. O elogio em questão recai sobre a “sagacidade” do empregado, em sua destreza em forjar um expediente muito desonesto que lhe proverá meios de subsistência para quando perder seu posto. Nosso Senhor, então, conclui que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz. 

A conclusão final de Nosso Senhor abre a questão para necessidade de os seus discípulos serem astutos na vivência da da vida espiritual, na vida de discipulado. Os conselhos que dá em seguida parecem apontar neste caminho. É preciso, com o dinheiro injusto, fazer amigos, isto é, fazer o bem aos pobres e necessitados. Segundo o Senhor, estes vão receber  nos céus aqueles que na terra aos tiverem socorrido em suas aflições. 

As obras de misericórdia, então, apresentam-se como meios de se pôr em prática este Evangelho. As obras de misericórdia corporais são: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. As obras de misericórdia espirituais são: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos. Cada um de nós pode escolher uma ou duas destas obras e nelas perseverar na prática do bem. 

“Quem vos confiará o verdadeiro bem?” Pergunta o Senhor. O verdadeiro bem é Ele mesmo. O mistério da salvação é que Deus mesmo se doou a nós por meio de seu Filho Jesus Cristo  e no seu Espírito Santo. Surge, pois, a necessidade de desejar este bem supremo, Este que é o verdadeiro Bem. 

Desejar Deus, suspirar por Deus, ansiar por Deus é a essência de toda oração. Qualquer oração ou qualquer ação cristã, que não seja expressão deste anseio interior não é oração de fato nem ação realizada em Deus. 

Ansiar profundamente por algo que não seja Deus mesmo, como o dinheiro, configura pecado de idolatria. O desejo pelo que é passageiro escraviza; o desejo pelo Eterno nos liberta: “como a corça suspira pelas águas correntes, assim minha alma suspira por Vós, ó meu Deus.” Que esta oração do salmo 42 seja a expressão do nosso desejo íntimo de Deus, e que toda a nossa vida seja submersa neste amor, neste desejo por aquele que é o verdadeiro bem. 

"Minha alma suspira por Vós como terra sedenta e sem água."

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
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