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24º Domingo do Tempo Comum

Misericórdia: Demonstração da Grandeza do Amor de Deus

Algumas páginas da Sagrada Escritura tornaram-se colunas robustas que sustentam todo o prédio da espiritualidade cristã. Sem dúvida, neste Domingo estamos diante de uma delas, através da parábola do Pai Misericordioso, ou, como se costuma chamar tradicionalmente, o Filho Pródigo.

Ir. Maycon dos Reis Custódio

Algumas páginas da Sagrada Escritura tornaram-se colunas robustas que sustentam todo o prédio da espiritualidade cristã. Sem dúvida, neste Domingo estamos diante de uma delas, através da parábola do Pai Misericordioso, ou, como se costuma chamar tradicionalmente, o Filho Pródigo.

A cena evangélica nos conta que Jesus está entre “os publicanos e pecadores”, que se colocaram diante dele em atitude de escuta. Entre eles também estavam ‘os fariseus e mestres da lei que criticam Jesus’. Dois grupos: os pecadores que escutavam Jesus, e os pecadores que não O escutavam, mas O criticavam. Escutar Jesus é já um passo no caminho de salvação conforme o ensinamento de São Paulo que disse: ‘…a fé vem pelo ouvir’ (Rom 10,17). Dois grupos de pecadores que tomaram a iniciativa de agir: os primeiros, ‘aproximando-se de Jesus para ouvi-Lo’ e o segundo grupo tomou a iniciativa de murmurar contra Jesus.

O Filho Eterno de Deus, o único de ‘coração puro,’ que veio a este mundo para ‘chamar não os justos, mas os pecadores,’ conta uma parábola para fazer refletir todos ali presentes, principalmente os que se imaginavam tesoureiros da salvação de Deus. A parábola todos nós a conhecemos.

É preciso dizer que esta parábola conta a história de todos os homens. Todos nós somos ora o filho mais novo quando rejeitamos a Deus em busca de nossas próprias ambições, interesses, até mesmo quando imaginamos alcançar nossa salvação por nossas próprias forças, criando uma religião pessoal, afastada de Deus e do Seu Filho, baseada no que eu concordo ou não a respeito da Palavra de Deus; uma religião centrada no eu, no que eu penso, no que eu quero, individualista, fechada aos outros e até mesmo ao próprio Deus.

Um tipo de fé assim simplesmente não leva Deus , despreza Sua Eterna Vontade em detrimento do que eu penso e sinto… (Não é de se admirar, por exemplo, movimentos que, levados por estas ideias diabólicas, pregam: “meu corpo, minhas regras!” aludindo ao falso direito às mulheres sobre a vida das crianças em seu ventre). Corremos o risco de repetirmos a atitude idólatra do Povo de Israel (1ª Leitura), o qual, tendo recebido de Deus todos os meios para continuar no caminho da libertação e da vida na Terra da Promessa, preferiram, no entanto, “desviar-se do caminho prescrito por Deus”(Ex 32,8) para construir para si próprio um outro deus, escolheram para si um caminho ‘visível’, optaram por colocar a esperança naquilo que se vê e não em Deus, que tudo governa com sua providência.

O mundo moderno pode muito bem favorecer tudo isso. Quando se diz que é preciso ter um corpo perfeito, uma aparência perfeita, os bens mais caros e da moda, fama, popularidade, direito à liberdade sem limites e desvinculada da verdade de Deus. Quando se prega de diversos modos que basta acreditar em Deus e em seu amor e já se está salvo, ou quando se ensina que Deus é aquele que perdoa tudo, desculpa tudo, dando assim um tipo de autorização para viver e gozar da vida: ‘descansa, come, bebe e diverte-te’ (Lc 12,19).

Sim, Deus perdoa tudo, Deus apaga nossos pecados, mas somente após nos arrependermos deles e fizermos todo esforço para não os cometer mais. A misericórdia tem seu preço. Ao deixar o pai de lado, querendo viver e decidir sobre a própria vida ao seu modo, o filho pródigo – que representa nossa atitude – está afirmando que a realização da vida repousa não em Deus, mas nas coisas deste mundo julgadas valiosas.

Se não vigiarmos e cuidarmos de nossa fé, podemos facilmente ser levados a uma vida sem Deus. Facilmente podemos colocar coisas no lugar de Deus e repetirmos o mesmo gesto dos israelitas que optaram por confiar no “bezerro de metal fundido” e não no Deus que os libertara da escravidão.

Às vezes somos também como o filho mais velho, que se recusa a participar da festa da misericórdia. Recusando a aceitar a imensa bondade do Pai. Este filho mais velho deseja que suas obras, atitudes, gestos, enfim, aquilo que ele faz se sobreponha à misericórdia do Pai. É a imagem do Homem que não chegou ainda a compreender que a Misericórdia de Deus é imensa, gratuita e não olha para as ações, mas simplesmente olha para o desejo sincero de conversão.

Não é o muito fazer que atrai a misericórdia; o que atrai a compaixão de Deus sobre o homem é um coração que compreende sua fraqueza, sua pequenez, e que deseja com sinceridade receber a misericórdia de divina e se deixa transforma por ela. Um coração orgulhoso é incapaz de ser alcançado pela misericórdia, pois Deus não age naqueles que pensam tudo poder e fazer com suas próprias forças.

Um coração arrogante não vê necessidade em amar. Já um coração humilde, que conhece sua fraqueza, sabe que o amor de Deus é maior que todo orgulho. É justamente isso que relata São Paulo na segunda leitura. Este Apóstolo é o modelo da ação da Misericórdia na vida humana. No caminho de Damasco, no encontro com Jesus Cristo, Paulo faz a experiência da misericórdia, que transformou toda a sua vida, fazendo-o um homem novo. Paulo fez uma experiência profunda do amor de Jesus Cristo.

O que ele ensina é a sua própria experiência de vida, de alguém que foi alcançado pela misericórdia e colocou toda a sua vida ao serviço do anúncio do amor de Jesus Cristo e da vitória da vida sobre a morte na Cruz. Diferente de Paulo é a atitude egoísta e mesquinha do filho mais velho. Seu orgulho cega-o, impedindo-o de ver a alegria do Pai, a alegria do irmão, que enfim retornou a casa, e a festa de todos. Num coração orgulhoso, num coração que se imagina deus, nunca haverá espaço para acolher a misericórdia. Enquanto o filho mais novo vive a festa da acolhida e misericórdia do Pai, o filho mais velho enumera suas obras, esquecendo-se de que Deus vê e sonda profundamente o coração do homem (Sl 139).

Voltemos ao Filho mais novo. Suas ações podem nos ajudar a entender a lógica da misericórdia em relação ao pecador. Aqui está o caminho do Homem em direção ao pecado: a transgressão de uma regra, de uma Lei de Deus (10 mandamentos, por exemplo), agir contrariamente a uma ordem expressa de Deus ou dos Evangelhos: trata-se da matéria grave. Antes mesmo de pedir a herança, o filho já havia decidido em seu coração violar as regras; assim, todo pecado grave contém essa autorização do coração, que o Catecismo da Igreja chama de “plena consciência” (nº 1857): a pessoa comete o ato sabendo que ele é contrário à lei de Deus; por fim, está o firme propósito de seguir no caminho do erro, no propósito firme de cometer o mal, mesmo sendo alertado pela consciência.

A Igreja chama de “propósito deliberado” essa insistência nos caminhos contrários a Deus. O Evangelho conta que após deixar a casa do Pai, ou seja, após perder a graça de Deus, o jovem “esbanjou tudo numa vida desenfreada”; isso porque o pecado sempre atrai outros pecados e esse ciclo só pode ser interrompido pela graça de Deus. De pecado em pecado, o ser humano enfrenta o pior da existência: estar afastado de Deus, seu Criador e em seguida a isso, perder a dignidade humana (v.16). Mas como a parábola quer ensinar a Misericórdia, Nosso Senhor nos ensina o caminho para chegar ao coração de Deus, através do arrependimento e mudança de vida.

“O rapaz caiu em si e disse: Vou voltar para meu pai”. Ter consciência de nossos pecados é um grande passo no caminho de conversão. Devemos constantemente pedir as luzes do Espírito para termos diante de nossa consciência aquilo que é contrário a Deus. Consciências que não se acusam são consciências mortas. Após conhecer nossos pecados devemos tomar a atitude de nos pormos a caminho do arrependimento e em busca do perdão de Deus. Com um firme propósito, iluminado pela graça de Deus, somos capazes de evitar o pecado em nossa vida e agir de acordo com a vontade divina. O último passo do jovem é o de confessar ao Pai seu pecado e seu pedido de perdão.

Quando seguimos este caminho de conversão, podemos ter a firme certeza de que Deus nos acolherá em seu amor. Só quando um pecador se arrepende, quando se volta para Deus com o coração sincero e desejoso de seguir a vontade de Deus é que ele pode experimentar a alegria verdadeira que não tem fim. Após o perdão vem a alegria de estar em comunhão com Deus e poder participar da festa do seu Amor.

Nós, Católicos Apostólicos Romanos, temos em nossa Igreja tudo isso à nossa disposição no Sacramento da Penitência. Temos que redescobrir o valor da Confissão e a força deste Sacramento em nossa vida cristã. Nosso Deus é realmente misericórdia, mas ele espera de nós um compromisso verdadeiro de mudança de vida, de afastamento das situações de pecado e que coloquemos nossa vida centrada no único bem verdadeiro do Qual procede todo bem: Ele mesmo.

A Eucaristia que recebemos a cada Domingo é a expressão máxima do amor e da misericórdia de Deus, pois trata-se do próprio Jesus entregue a nós para nossa salvação. É dela que provêm as forças para que sejamos movidos pela graça e não por nossos impulsos, como diz a oração pós-comunhão deste domingo.

"Vou voltar para meu Pai."

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
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