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23º Domingo do Tempo Comum

Ser Discípulo de Jesus Requer Coragem e Ação

O Senhor põe em relevo essa dimensão de conflito da fé. De fato, a vida de fé é marcada por conflito: nossa consciência está o tempo todo a “lutar” contra nós, tentando vencer em nós nossas maldades e vícios; a própria fé nos coloca também em um estado de inimizade com o “mundo”, isto é, com os falsos valores e pecados assumidos e celebrados na sociedade

Ir. Cristóvão Oliveira Silva

O verbo “ser” é o mais fundamental da linguagem humana, em qualquer língua que empreguemos para a comunicação.  Com ele, tentamos vislumbrar a realidade mais importante de todas: o ser — isto é, a essência daquilo que existe; e todo conhecimento, tão-somente, só é conhecimento de fato se é conhecimento do ser, da essência, daquilo que é para além de toda aparência. Na porção do Santo Evangelho que meditamos neste domingo, Nosso Senhor emprega três vezes o verbo “ser”. Três vezes a sentença “não pode ser meu discípulo” é repetida (OU DYNATAI EINAI MOU MATETHS”). Com isso, Jesus nos aponta para além de todas as aparências da vida cristã, para além de todas as aparências de nossa piedade e de nossas boas obras, e nos revela algo está na essência mesma do seu discipulado. 

O Senhor nos apresenta duas condições sem quais não pode existir vida cristã: a renúncia aos apegos emotivos e a coragem de enfrentar com coragem os sofrimentos advindos de nossa opção por Cristo. 

O contexto da mensagem é “a multidão que o acompanhava”. O alerta, portanto, dirige-se a todos e não somente a uma classe específica de discípulos, como os apóstolos. Ser meramente um número na multidão não basta para “ser” discípulo de Jesus; algo mais se faz necessário. 

Depois de dar a conhecer as duas condições — tomar a cruz e renunciar aos bens, o Senhor emprega duas parábolas para as elucidar. 

A primeira nos remete à imagética de uma torre, ou melhor, à sua construção. Tal simbolismo não é de todo novo, haja visto a história da torre de Babel em Gênesis 11. A vida cristã, ou o seguimento de Cristo, como uma torre, precisa de fundamentos sólidos e profundos e o seu erguimento, por sua vez, demanda uma grande quantidade de material e de trabalho. Assim, a parábola nos faz pensar na seriedade do chamado cristão que não deixa lugar para nenhum tipo de parvulez. 

Já a segunda parábola nos remete à simbólica da guerra, do conflito, da contrariedade. Gênesis 32 nos conta a história misteriosa da luta entre Jacó e Deus, o qual se havia apresentado sob a figura de um homem na ocasião. Assim, por essa parábola, o Senhor põe em relevo essa dimensão de conflito da fé. De fato, a vida de fé é marcada por conflito: nossa consciência está o tempo todo a “lutar” contra nós, tentando vencer em nós nossas maldades e vícios; a própria fé nos coloca também em um estado de inimizade com o “mundo”, isto é, com os falsos valores e pecados assumidos e celebrados na sociedade. 

A conclusão da passagem é clara e direta: é preciso renunciar a todos os bens para ser discípulo de Jesus. 

Meditação. 

Ao longo da história, a Igreja canonizou muitos homens e mulheres ricos, até reis foram reconhecidos como grandes exemplos de vida cristã. O que propriamente nos ensina o Senhor neste domingo pela Liturgia? 

Nestes últimos domingos vimos meditando sobre as disposições interiores do cristão. Para sermos capazes de operar as obras que Deus espera de nós, é preciso que tenhamos em nós as disposições interiores que nos preparam para a ação. No 21 domingo, meditamos sobre o “esforço.” No 22 Domingo, domingo passado, meditamos sobre a virtude da humildade. Neste 23 domingo, o Senhor nos aponta a cruz e a renúncia. 

Algumas versões da Bíblia em Português trazem a expressão: “quem não carrega a sua cruz…”. Em traduz mais clássicas, vamos encontrar o verbo tomar: “quem não tomar a sua cruz…”. O verbo no texto grego do Evangelho é BASTASO, que significa tomar algo nas mãos. Transferindo para o campo conotativo, a expressão então significa esta atitude de “assumir” o chamado cristão com toda a seriedade, com toda consciência, com todo o comprometimento, sem se deixar escandalizar pelos sofrimentos que vamos enfrentar por causa de nosso amor e adesão a Jesus.  

Jesus, dai-me a graça de assumir com coragem o mistério da cruz.

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
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