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22º Domingo do Tempo Comum

Descer para Subir

Orgulho é pensar ser o que não se é. É o pecado da serpente, que se faz passar por deus. Deus não suporta os orgulhosos e para eles Ele há de mostrar o seu poder.

Ir. Maycon dos Reis Custódio, nds

A Igreja, sempre atenta às exigências do Senhor para o aperfeiçoamento de nossa vida cristã, nos propõe uma reflexão extremamente importante na Liturgia deste Domingo.

Jesus conta duas parábolas, ambas tendo como contexto o festim. O Evangelista apresenta alguns detalhes sobre o ambiente que inspirou Jesus a contar as parábolas. Num dia de sábado, numa refeição na casa de um chefe dos fariseus [Lc 14,1], Jesus observou que os “convidados escolhiam os primeiros lugares” [Lc 14,7]. Diante desta atitude, alguns poderiam pensar: uma ocasião especial da qual ninguém queria perder nenhum detalhe. Justamente desta ocasião o Senhor Jesus aproveita para ensinar as verdades eternas e os caminhos de Deus esquecidos até mesmo pelos ditos homens de fé, os de ontem e os de hoje.

Disse o Senhor: “Quando alguém te convidar… não ocupes o primeiro lugar”. A parábola não conta sobre algo que é alheio a nós. Não! Ela fala justamente de nossa vida, dos nossos costumes; ela fala de nós. Nosso Senhor não nos exorta a recusar a participar da alegria de outros, mas sim a não pensarmos que temos o direito ou o privilégio de ocupar os espaços físicos, espirituais e afetivos na vida de outras pessoas.

A advertência está na imagem que construímos a respeito de nós mesmos em relação aos outros, pois logo em seguida Ele diz: “Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu…”. Vale lembrar as palavras sempre eternas da Escritura: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4). Ele deve ser sempre o primeiro em nossa vida. Jesus nos ensina a evitar o mal do orgulho, este pecado grave que nos retira a correta visão de nós mesmos, deturpando nossa consciência diante de Deus e dos outros, elevando-nos falsamente diante do próximo.

Orgulho é pensar ser o que não se é. É o pecado da serpente, que se faz passar por deus. Deus não suporta os orgulhosos e para eles Ele há de mostrar o seu poder. O orgulho mata! A Sagrada Escritura adverte diversas vezes contra essa mal: “o orgulho do homem o humilha, mas o espírito humilde obtém a honra” (Pv 29,23). Os Santos Evangelhos nos apresentam o remédio para este mal: Jesus Cristo. Nosso Senhor nos ensinou como vencer o orgulho: com a humildade: “Quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar”.

Em outra ocasião Ele ensinou a mesma atitude dizendo: “Aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve, e o que quiser ser o primeiro entre vós, seja o vosso servo” (Mt 20,26). No Reino de Nosso Senhor não se buscam glórias pessoais efêmeras, não se buscam aplausos ou aprovação, nem publicações com milhares de curtidas…No Reino de Nosso Senhor “nada se faz por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um os outros superiores a si mesmo…” (Fl 2,3).

A segunda parábola usa a imagem de uma refeição: “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, […]nem teus vizinhos ricos. Convide os pobres, aleijados, os coxos, os cegos…”. Jesus mesmo explica o critério para a escolha destes convidados e não daqueles: “Pois estes (os familiares e amigos) poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. (Já os pobres e desconhecidos) porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

No Reino de Cristo as relações entre as pessoas não são geridas pela lei do toma-lá-dá-cá, ou pela lei da utilidade, em que têm valor as pessoas que fazem algo por nós ou podem nos fazer. No reino do individualismo em que vivemos, em que as pessoas só pensam em si próprias, em estar nas melhores posições e em tirar vantagem sobre os demais, corremos o enorme risco de negar ao outro o direito de ser reconhecido como pessoa, imagem e semelhança de Deus.

O individualismo mata a fraternidade e a gratuidade nas relações. Mata sobretudo a capacidade do ser humano de amar, de sentir compaixão e de se colocar a serviço. Estas são posturas que não devem ser vividas pelos cristãos, pois, lavados pela água do Batismo, nós temos como maior missão nesta terra nos configurarmos a Jesus Cristo, ou seja, nos esforçarmos para fazer com que nossas atitudes e modo de ser sejam iguais aos de Jesus. Os homens de Deus fazem o bem incansavelmente esperando alguma recompensa somente de Deus.     

Neste grande esforço que temos que fazer para nos configurarmos a Cristo, a Mãe Igreja nos apresenta dois modos de agir de Jesus que temos que imitar: a humildade e a fraternidade/gratuidade nas relações. A primeira atitude podemos dizer que nos coloca em relação primeiro com Deus e depois com os irmãos. Ser humildade é saber que sem a graça de Deus nós nada somos, nada podemos fazer de verdadeiramente bom.

Um grande pastor de almas espanhol ensinou que a humildade é como se fosse o alicerce de um prédio. Imaginemos que nossa vida é um prédio em construção; quanto mais alto queremos subir em direção a Deus, mais firme e sólido deve ser o fundamento da humildade, do reconhecimento de que diante de Deus somos nada e Ele é tudo. Não foi assim que agiu a Santa Virgem no momento em que Céu e Terra se uniram na Encarnação do Verbo [Lc 1,38]?

A primeira leitura de hoje nos apresenta a humildade para chegar ao Coração de Deus e para evitar os demais pecados que matam a vida divina em nós.   São Tiago ensinou que “todo dom precioso e toda dádiva perfeita vem do alto e desce do Pai das Luzes”. Rezemos incessantemente pedindo a Deus este dom e sigamos o exemplo perfeitíssimo de Jesus. Portanto, nossa primeira tarefa: a oração!

A segunda atitude ensinada é a fraternidade. Esforcemo-nos para mudar nosso modo de ver a realidade. Somos ensinados que sempre temos que ganhar algo em troca por tudo o que fazemos; e se não ganhamos, não fazemos. Isso é um valor contrário à fé cristã. Os discípulos de Jesus Cristo, “o juiz de todos e o mediador da Nova Aliança,” devem agir como o Mestre: de maneira gratuita, sem olvidar os deveres da justiça evidentemente, pois o trabalhador é digno de seu sustento (Mt 10,10).

Viver isso significa ser capaz de ser para a vida dos outros um suporte necessário quando preciso, viver a compaixão pelos necessitados, lutar contra o egocentrismo das relações. Num mundo extremamente conectado, ser capaz de se desconectar para uma boa conversa em família e com amigos e partilhar de experiências que ajudam a crescer é fundamental.

Numa sociedade que valoriza o compartilhamento ininterrupto de futilidades e onde pessoas são massacradas pela violência dos radicalismos e falta da verdade, Jesus nos pede para agirmos de maneira fraterna, gratuita e compromissada com a vida de nossos irmãos, demonstrando verdadeira preocupação e solidariedade. Em nosso cotidiano sempre devemos ter em conta dois pensamentos: fazer as coisas para a glória de Deus e fazer sempre o bem ao próximo. Pensando assim, Deus mesmo nos mostrará como colocar isso em prática.

Os cristãos, resgatados pelo sangue de Cristo, devem pedir todos os dias a Deus a graça de viver e praticar o amor. Não devemos ter vergonha disto, pois Jesus Cristo, o Amor encarnado deu a vida por nós e nos fez ressuscitar com Ele para que nós pudéssemos amar também. Sata Terezinha do Menino Jesus dizia: “Viver de amor é dar-se sem medida, sem nesta terra salário a reclamar; sem fazer conta eu dou, pois convencida de que quem ama já não sabe calcular!”.

Peçamos a Deus a graça da humildade e de vivermos uma verdadeira fraternidade desde agora nesta Terra, para quando chegar o momento possamos com Ele nos céus participar da alegria eterna na mesa do Reino; a Eucaristia que recebemos em cada Domingo é já uma antecipação deste Amor que não conhece fim.

Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração selhante ao vosso.

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
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